quinta-feira, 11 de março de 2010

CATEDRAL NOSSA SENHORA DA IMACULADA CONCEIÇÃO, FRANCA/SP





Freqüentador Misterioso: Episcoteriano

A Igreja: Catedral Nossa Senhora da Imaculada Conceição, Franca, SP

Denominação: ICAR, Igreja Católica Apostólica Romana

O prédio: A Igreja Matriz, elevada a Catedral da Diocese de Franca em 20 de fevereiro de 1971, é um templo neogótico de inspiração francesa, construído no início do século XX com as polpudíssimas contribuições dos barões do café e dos diamantes, que gozavam do auge de sua opulência.

A comunidade: A Catedral, como igreja central que é, congrega não apenas os moradores do centro, mas gente de toda a cidade que prefere cultuar no ambiente contemplativo de um templo gótico. Como é comum às catedrais (e igrejas monásticas), o Ofício Diário é dito todos os dias (dã), e aos domingos há cinco celebrações (sete nas grandes festas), e em todas há sempre gente que fica em pé pela falta de lugar.

A vizinhança: Como de costume nas cidades do interior do Brasil, o prédio da Matriz fica no coração do Centro da cidade, diante de uma longa praça com fonte luminosa e concha acústica onde a banda toca todo domingo à noite. Sendo Franca a maior cidade pequena do mundo, com seus 375.000 habitantes e cara de 37.500, o Centro ainda é um endereço nobre, vibrante e cheio de vida, ao contrário das grandes cidades neofeudalizadas da cultura subúrbio-shopping center do final do século XX.

Elenco: A celebração foi presidida pelo novo Bispo da Diocese, D. Pedro Luís Stringhini, com a concelebração dos vigários paroquiais, Pe. José Geraldo Segantin, Pe. Márcio Barbosa Rigolin, Pe. José Alaor Borges e a participação do Dc. João César Martini.

Data e Horário: Segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010, 19h30.

Qual o nome do culto? Missa Solene de Posse da Cátedra da Diocese de Franca

Quão cheio estava o salão de cultos? Não havia lugar para sentar, e os fundos da nave estavam razoavelmente lotados de gente em pé, também.

Alguém lhe deu boas-vindas? Duas simpáticas senhorinhas que distribuíam os folhetos da missa junto com bandeirolas brancas trazendo a efígie da padroeira da Catedral.

Seu assento era confortável? Não tive a chance de me sentar, apesar de ter chegado vinte minutos mais cedo. Mas os bancos da Catedral são qualquer coisa de confortáveis, com seus assentos estofados revestidos em couro (não se esperaria menos da Capital do Calçado!).

Como você descreveria o ambiente antes do culto? Um clima de festiva antecipação. Na véspera o Bispo tomara posse da Diocese em uma grande missa com o Ginásio Poliesportivo da cidade, o Pedrocão, Templo do Basquetebol, lotado. Comparado com aquele clima de festa de religião de estado, como o catolicismo ainda parece ser no interior, a cerimônia do domingo começou bem mais sóbria e introspectiva. Até porque já era Quaresma.

Quais foram, exatamente, as palavras de abertura do culto? A letra em português do Hino do Vaticano, executado repetidas vezes durante o rito da processional. As primeiras palavras ditas, como era de se esperar, foram "Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo".

Que livros foram usados pela congregação durante o culto? A ordem litúrgica, como é costume da Catedral, vem impressa na íntegra em um folheto grande (A3 dobrado no meio) em 3 colunas por página, contendo todos os responsos, orações, letras de músicas e as leituras bíblicas.

Que instrumentos musicais foram tocados? Piano eletrônico, usando um som de órgão, e violão. É o instrumental padrão da Catedral.

Algo o distraiu? Numa missa solene, muita coisa acontece ao mesmo tempo, bem diferente mesmo do mais alto culto protestante. Durante o Asperges, fui atingido no olho com água benta. E olha que eu estava de óculos. Na processional, após o esquadrão de coroinhas e acólitos, entraram os padres da Catedral seguidos pelo Bispo, como é de praxe. O pároco, Monsenhor José Geraldo, discretamente fez sinal para o povo aplaudir e sacudir as bandeirinhas. Não é um papel ao qual eu imagino que monsenhores devessem se prestar, mas enfim... (e eu cria que aplausos dentro de templos fossem coisa de pentecostal...)

O estilo do culto, qual era? Saltitante, engessado ou o quê? Tudo vem me levando a crer que o novo Bispo, vindo de São Paulo, é um tradicionalista. Eu, que visito a Catedral com freqüência, posso dizer que o catolicismo francano tem sido bem protestant-friendly até então; um protestante mais bem informado normalmente não tem grandes objeções de consciência no que escuta ao visitar a Catedral. Mas contrário ao costume estabelecido, foi empregado incenso, coisa que não acontecia nem nas altas festas do calendário litúrgico; parece que convocaram TODOS os coroinhas e acólitos, quando normalmente só se escala dois coroinhas, e um acólito (em regra um seminarista) de vez em quando. O diácono usou um véu umeral para segurar o livro com o texto do Evangelho, que também foi devidamente incensado. E o bispo, durante as intercessões, puxou uma série de orações marianas que NÃO estavam no roteiro mas parecem ser de conhecimento do católico-médio. Ou seja, se a posse do Bispo for indicador de alguma coisa, o catolicismo francano vai ficar menos "protestante" daqui pra frente.

Qual a duração exata do sermão? Em torno de uma meia hora.

Numa escala de 1 a 10, quão bom era o sermão? E o pregador? 4. O Bispo gastou a maior parte do tempo do sermão fazendo um discurso de posse, e depois correu pra comentar o Evangelho e a Epístola próprios da festa.

Em suma, sobre o que foi o sermão? Como dito acima, muitos agradecimentos, anúncios políticos. E depois, a exposição e aplicação do Evangelho em que Cristo nomeia Pedro como a rocha sobre a qual edificará a Igreja.

Que parte do culto foi como estar no céu? Incenso! Toda a pompa e circunstância, e a visível alegria do povo em receber aquele que será oficialmente o pastor de toda a Diocese (que ficou a maior parte de um ano sem essa figura tão central para o catolicismo romano).

E qual parte foi como estar... hã... no outro lugar? Bandeirinhas. Palmas. Só contribuem pra cara política da festa. Ser surpreendido pelas orações marianas que estavam fora do roteiro também contribuiu negativamente, mas não posso realmente reclamar, já que, afinal, É uma igreja romana.

O que aconteceu depois do culto? Era segunda à noite numa cidade essencialmente operária. Todo mundo voltou pra casa depressa, e daí pra cama.

Como você descreveria o cafezinho após o culto? Não houve.

Como você se sentiria em congregar nesta igreja? Não é uma opção pra mim. Posso cultuar com os irmãos romanos de vez em quando, mas minhas convicções não me deixariam aderir à jurisdição do Bispo de Roma com uma consciência tranqüila.

O Culto o fez feliz por ser um cristão? Com certeza, foi bacana me alegrar com os irmãos de um outro ramo do cristianismo em uma ocasião tão importante para eles.

O que você vai guardar na memória deste culto? O Monsenhor se prestando ao papel de puxar aplausos na processional. E o Hino do Vaticano GRUDA na cabeça.

8 comentários:

  1. ADOREI o blog e peço que não abandonem a ideia!

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  2. Permita-me só uma observação. Toda vez que algum escritor, guia ou historiador fala de neo-gótico no Brasil, me convenço de que os Vikings foram muito além da Groenlândia e do Canadá lá pelo ano 1200, ajudando a colonizar o Brasil antes dos portugueses, tendo partido deixando apenas suas catedrais góticas aos cuidados dos Guarani. Contudo, o que temos no Brasil é de influencia francesa, isso só nos faz acreditar que seja o “bendito” eclético positivista presente em quase todas as grandes capitais Brasileiras que atravessaram o fim do Império ou, no caso de BH, os fundamentos da República. AS substituições foram comuns no interior do Brasil, barradas apenas pelos modernistas. Vamos encontrar o mesmo estilo na monstruosa Catedral de Diamantina, que infelizmente data do mesmo período substituindo a anterior que era Rococó. No mais, só posso elogiar seu trabalho, abraços.

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  3. Mais importante que o estilo ou o tipo de celebração e o comportamento dos padres que juram humildade e pobreza, mas não hesitam em fazer uma excursão para Israel para rever o que.? Será que Deus não habita nossos corações ? Me refiro ao padre Márcio

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  4. Sinto uma profunda decepção em relação ao padre Márcio que prometeu pobreza e humildade e hoje excursiona em Israel, pra não falar da falta de religiosidade , pois não precisamos ir a qualquer lugar para sentir Deus em nossos corações.

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  5. Achei bem interessante a idéia desse blog, pena que tenha pouca participação . Adoro a catedral principalmente por sua localização privilegiada, o que me proporciona um grande bem estar. O que mais me interessa e a atitude dos padres que pregam uma coisa e fazem outra. Não gosto de palmas dentro da igreja, prefiro um culto mais tradicional, o que elimina as missas do Padre José Geraldo. Prefiro as do Bispo. Mas o que mais me perturba e a hipocrisia. Cito o padre Márcio ,que prega a humildade e a simplicidade e foi excursionar em Israel, levando seus incautos para uma zona de conflito.

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  6. Continuo indignada com a atitude do padre márcio , a quem ele se reporta? Ao Bispo? Ele tem todo direito de sair em férias, mas dai a uma excursão a Israel , isso e demais. Para quem proclama a sobriedade e pobreza me parece um contra-senso.

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  7. Quem conhece bem o Padre Márcio, sabe que ele não foi a Israel apenas a turismo, mas primeiro como guia espiritual, segundo como historiador pelo profundo conhecimento que tem sobre a região da terra santa face as inúmeras vezes que lá esteve.
    Espero eu algum dia ter condições financeiras para poder visitar estes lugares e ainda por cima ter a companhia de um mestre da Teologia para me guiar como o Padre Marcio.

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